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Quando vi a internet pela primeira vez, me espantei com o oceano de possibilidades que ela permitia. E quanto mais o tempo passou, mais ela evoluiu e mais potencial consegui enxergar em seu desenvolvimento.

Eu posso dizer que meu pensamento principal ao ver a internet se tornando popular no começo do século foi que ela era uma rede de informação quase infinita. Quase sem fim, propriamente dita, quase tudo estaria lá. Apenas precisávamos ter interesse de correr atrás de uma informação, e ela estaria ali, a uma pesquisa de distância.

Isso se tornou tão forte no meu desenvolvimento profissional, que eu posso dizer que muito do que sei hoje é devido a meu interesse de pesquisar, ler, analisar, reforçar o conhecimento com outras fontes, e por fim, sintetizar um conjunto de informação. Tudo isso, muitas vezes, pela internet.

Por exemplo, quando me formei, eu aprendi a programar C++. Eu saí assim do meu curso de engenharia. Eu era um cara que aprendeu um monte de coisa na teoria, aprendi a fazer pesquisa — em projetos de pesquisa, — e programar C++.

Meus primeiros anos — além do mestrado que fiz em seguida — eu trabalhei com desenvolvimento C++. Entretanto, o tempo passou e o desenvolvimento Web se tornou popular, e eu tive uma grande oportunidade de me atirar em um projeto desses. Então, fui eu ao Google e estudei. Aprendi desenvolvimento Web lá, novas tecnologia, novos paradigmas. Em alguns meses estava trabalhando oficialmente em projetos Web. E o faço até hoje.

Ok, falei como é legal ter acesso a informação. A comunidade de desenvolvimento de software é realmente cooperativa, muito mais do que competitiva. É um fenômeno da internet. Entretanto, ao mesmo tempo que você acessa fóruns e cursos online, você também encontra muita gente o fazendo software de má qualidade ou com uma certa… inocência. Coisa que não é feita por maldade, apenas por inocência. Uma pessoa descobriu algo que ela julga bom para ela, e passou adiante como se fosse um padrão.

O que quero dizer com esses exemplos: que ao mesmo tempo que temos informações boas na internet, temos também, informação ruim.

Trago agora o discurso para nosso paradigma atual: na internet temos Verdade e Mentiras. E esse é um assunto polêmico nesses momento, principalmente porque temos Verdades que estão a tona e outras que estão enterradas atrás de paredes, que só se abrem para quem paga (paywall) [1]. E também, existe alguns tipos de mentiras. As mentiras que são causadas por inocência das pessoas, que acharam que algo que viram ou observaram era verdade, mas também, há mentiras que são criadas, com seus criadores tendo alguma segunda intenção.

Nesses tempos atuais, a internet tem se expandido muito mais para o lado da dissimulação do que da informação.

Outro exemplo é o que acontece atualmente com os meios de comunicação (falando aqui dos confiáveis). Para se manterem vivos na internet, eles tiveram que cobrar pela informação. Assim como na vida sem internet, onde você compra o jornal, você também tem que pagar para ler uma notícia online.

Já a mentira é de graça. Assim como antes da internet, você ouvia fofocas na padaria ou na festa do patrão, hoje, as mentiras chegam nos WhatsApp, Facebook e outras formas digitais. E você não precisa pagar por elas.

“A verdade é paga, mas a mentira é de graça!” — Nathan J. Robinson [1].

Assim como o autor dessa frase aí, eu não estou aqui para julgar esse fenômeno, pois, sim, a Folha de São Paulo tem que pagar seus jornalistas, e como fazer isso sem cobrar pelo acesso à informação?

E o que podemos observar aqui, é que esse fenômeno histórico apenas se repete. O que antes acontecia nas ruas de uma cidade, agora acontece por meios digitais.

Isso nos leva a pensar que — talvez, que — a informação verdadeira é só para quem tem dinheiro e a mentira é para qualquer um. Essa minha frase não é uma “viagem” tão grande se for pensar que os segredos militares e espaciais estão fechados em cofres em algum lugar por aí. Dessa maneira, quem tem dinheiro, tem acesso à informação.

E o que me faz pensar profundamente, a partir dessa afirmação de que dinheiro leva à informação — e que em um país como o Brasil, onde há diferença social notável — que os ricos e privilegiados têm acesso à informação, e pode cada vez mais se atualizar e se especializar. Mas quem não tem, como pobres e miseráveis, permanecerão nesse patamar, onde além de não terem dinheiro e acesso à serviços básicos, eles também estarão privados da informação, ou terão acesso è ela de forma limitada.

Posso levar o pensamento ainda um pouco para baixo, para sair da internet. Por exemplo, as escolas nas periferias possuem uma qualidade consideravelmente inferior e escolas em regiões nobres. Ainda mais, ricos podem pagar por estudo, enquanto pobres dependem das escolas públicas. Lembro claramente de quando meu irmão precisou estudar em escola pública e ele reclamava que chovia dentro da sala, enquanto as que estudei, na privada, nunca aconteceu algo nesse nível.

Colocando um pouco de energia positiva em minhas palavras, assim como grandes instituições estão interessadas em manipular através de Fake News (fofocas), felizmente, muitas pessoas detentoras de alto poder capital estão interessados em ver um mundo melhor, balanceando as coisas um pouco para o lado da luz.

Por fim, volto ao assunto que comentei quando falei sobre linchamento virtual. Eu vejo no futuro a internet ser limitada e controlada. Os governos mais autoritários terão interesse em saber quem está inventando coisas, ou quem está disseminando informações verdadeiras sobre algo que um político não goste. Ou será isso, ou continuaremos assim, mergulhados em um mar onde a mentira tem muito mais poder do que a verdade.

Ou para inverter esse cenário e manter a internet livre, teremos que lutar muito ainda…

E aí, o que você acha? Nó aprenderemos a lidar com as mentiras virtuais ou continuaremos influenciadas por elas? Os governos um dia irão limitar a internet ou ela permanecerá assim com é, livre?

Referências: