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Eu, Shadei Urnamsu, um grande visionário do meu tempo e um mestre dos padrões populacionais em massa, lhe proponho hoje uma viagem no tempo…

 

Bem-vindos a Era da discórdia e da ignorância. A Era que esquecemos o verdadeiro conhecimento e mergulhamos em novas teorias falaciosas. Um mundo de informações falsas, dissimuladas e fantasiosas.

Aqui todos tentam recuperar um tempo antigo e perdido. Os tempos de glória do passado. Aquilo que se foi e não volta mais. Aquilo que foi bom para uns e ruim para outros. E aqueles que não conseguem oferecer esse paraíso em vida, o prometem para tempos que somente a Danse Macabre pode oferecer.

Aventureiros viajam o mundo em busca de novidades e histórias para contar, mas estes são vistos como lunáticos, seres inúteis que se perdem em seus psicotrópicos e criam mentiras para enganar a humanidade. Os regentes garantem que esses depravados devem ser desacreditados e punidos por proporem ideias tão vis para a sociedade pura.

Neste tempo, os governantes se afastam do proletariado, cada vez mais ignorando a sua existência, considerando-os vagabundos e desnecessários e, ao mesmo tempo, esquecem quem produzem as suas comidas e suas vestimentas caras. Quando os trabalhadores levantam suas bandeiras, se rebelando contra os líderes autoritários, os senhores dizem que sofrem nas mãos do povo, além de serem injustiçados por não perceberem o bem que eles fazem à população mais sofrida.

Não bastando o sofrimento do povo, essa também é uma Era de perseguição e negacionismo. Mentiras viajam rapidamente de boca em boca e constroem a ideia de conhecimentos obscuros, isto é, o conhecimento capaz de esconder a verdade e implantar mentiras em nossas cabeças.

Ignorantes se tornam gurus e influenciam o rumo da humanidade só por serem extremamente populares.

Crenças se tornam a base de todas as estruturas sociais, e líderes religiosos influenciam o comportamento da população.

Todas essas estruturas de desorganização quebrarão os conceitos de nossa existência para, aos poucos, reconstruir sob um novo paradigma, onde a minoria acreditará que é a maioria. E em sua megalomania, tratarão o resto do mundo com desprezo, ao ponto de os denominarem como uma escória criminosa.

Consequentemente, as pessoas odiarão sua própria vida. Odiarão o que fazem. Odiarão uns aos outros. Mas precisarão continuar sua rotina, dia a dia, que os leva até o dia de sua morte. Nesse ciclo sem fim, irão se questionar: sofrer e morrer? É isso?

E para os que se negarem, a morte virá mais cedo.

E logo os maus serão bons.

Os homens serão tratados como animais.

A saúde será roubada.

A educação será tirada.

A informação será privada.

Eles trabalharão cada dia e a cada hora para que seus patrões tomem suas bebidas caras, em suas mansões com degraus de mármore e em suas mesas de madeiras proibidas.

E quando a natureza ruir, a punição virá, e seus suportes cairão sobre a casa de todos. Ninguém será poupado por sua força, pois a natureza é inexorável.

E mesmo assim, no último suspiro, em um vislumbre de esperança, eles agradecerão a todos os deuses por terem purificado o mundo, para que eles possam começar tudo de novo, apenas com aqueles que merecem… os puros.

 

Bem-vindos, meus caros! Bem-vindo a Idade das Trevas, a idade média de nossa existência. Um tempo de sofrimento e danação!

Todas essas sombras que assolaram a raça humana poderiam terminar aqui, mas não…

Não com o homem que é ignorante e preguiçoso. Não com o homem que é egoísta e ganancioso.

Essa Era é apenas uma estampa do que o acontecerá e o que os interesses do homem pode fazer e, de tempos em tempos, será carimbada nos pergaminhos da história.

Destinado a acontecer, outras e outras vezes, infinitamente, enquanto o homem existir!

 

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